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quarta-feira, abril 29, 2009







um peixe transformou-se em pó.

[o jogo era uma visão da verticalidade do aquário]

na mesa o peixe mordeu
a vela num anzol
desastradamente mole.

[acabam os cigarros e invado-me de fósforos]

é preciso ritmo para desmontar o princípio da impressão
dos símbolos, disse o peixe.

[hei-de dizer que compro sopa em episódios inúteis]

o fumo desliza pelo nariz
e desenho escamas no escuro.

o escuro favorece a pele, disse o peixe.

a sopa come-se em dois tragos.

[trago-te depois o guardanapo]

o peixe fugiu e provocou a
ira da linha.
a linha disparou dois tiros
num carapau surrealista.

o assassino anda a monte.






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(este post só é válido lido com esta música de fundo. convém ouvir toda a música para que a emoção seja maior. ponto.)





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quarta-feira, abril 15, 2009

a cidade 1







acabei de morrer, meu amor, porque quem escreve a cidade morre de seguida.

deitada de costas surpreendi o lençol. passava mesmo ao lado da orelha esquerda a tua marca articulada onde escrevi a cidade.
forço-te a olhar - vê-me. a permanência do teu ombro
roda na textura da tua orelha esquerda.

a cegueira.onde dói a cegueira. a combustão do silêncio. onde a conversa se desloca sem corpo. nua. em espelhos a invadir a subida.

acabei de morrer, meu amor, pois quem desalma a cidade morre de seguida.





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terça-feira, outubro 14, 2008









a curiosidade é um deus de tédio.

(nota à beira da cama com pés de cão)






quarta-feira, agosto 20, 2008


O come t’inganni
se pensi che gl’anni
non hann’da finire,
bisogna morire.

E’un sogno la vita
che par si gradita,
è breve il gioire,
bisogna morire.
Non val medicina,
non giova la China,
non si può guarire,
bisogna morire.

Non vaglion sberate,
minarie, bravate
che caglia l’ardire,
bisogna morire.
Dottrina che giova,
parola non trova
che plachi l’ardire,
bisogna morire.

Non si trova modo
di scoglier ‘sto nodo,
non val il fuggire,
bisogna morire.
Commun’è il statuto,
non vale l’astuto
‘sto colpo schermire,
bisogna morire.


La Morte crudele
a tutti è infedele,
ogn’uno svergogna,
morire bisogna.
E’ pur ò pazzia
o gran frenesia,
par dirsi menzogna,
morire bisogna.

Si more cantando,
si more sonando
la Cetra, o Sampogna,
morire bisogna.
Si more danzando,
bevendo, mangiando;
con quella carogna
morire bisogna.



I Giovanni, i putti
e gl’Huomini tutti
s’hann’a incenerire,
bisogna morire.
I sani, gl’infermi,
i bravi, gl’inermi,
tutt’hann’a finire
bisogna morire.
E quando che meno
ti pensi, nel seno
ti vien a finire,
bisogna morire.
Se tu non vi pensi
hai persi li sensi,
sei morto e puoi dire :
bisogna morire.










sexta-feira, agosto 08, 2008


























o sonho é mais cidade se for de pedra. é mais bálsamo se for de pele.