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terça-feira, maio 19, 2009








Descubro-te no caderno da tinta a escorrer a convexidade da palma da mão.
Devolvo-te a imagem. Antes fosse de madeira a palavra, numa mesa de chá, a vomitar cadências de limos. Disse-te que não, não era o contorno que compunha a obra.
Era uma trémula encosta ali na elevação do inútil. É nela que se sustenta a vontade e se quebra a ponte entre a pele e a infância.

Desfolho o caderno e creio-te lá, envolta no lixo estático da morte, em castidades desfeitas na matemática do painel do teu corpo.
O fim é a construção geométrica do orgasmo. Suporte de pele nas tardes abstractas a absolver o sangue menstrual do superior sonho.
Qualquer sopro de fome distingue a muralha do desejo da profecia do tempo. Por isso te mato. Findo-te nesta folha abandonada ao silêncio.

A pilha do relógio acabou. Deponho-te espacialmente de caneta em punho no murmúrio do traço. Sem esforço, evoco-te o fim do pasmo. Exausto-te. Orgasmo-te.






texto publicado no nº14 da Revista Minguante, O Fim

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