segunda-feira, janeiro 22, 2007

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Estou num amor entre viver e morrer. É através desta ausência do teu sentimento que reencontro a tua qualidade, essa, precisamente, de me agradares. Penso que apenas me interessa que a vida não te deixe, outra coisa não, o desenvolvimento da tua vida deixa-me indiferente, não pode ensinar-me nada sobre ti, só pode tornar-me a morte mais próxima, mais admissível, sim, desejável. É assim que permaneces face a mim, na doçura, numa provocação constante, inocente, impenetrável.
E tu não sabes.
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Marguerite Duras, Textos Secretos
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Foto de Asti

16 comentários:

Pedro Branco disse...

E de repente o olhar fez-se silêncio. Apenas palavras. O branco de tudo querer elevar para ver melhor. Apenas a cor do que está. Só isso interessa? Tu não sabes... Eu gosto do olhar.

Isabel disse...

Acabei Finalmente de escutar o piano de IMF e


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Escutei e chorei

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e eu que pensava que te conseguia ver_____________________________


Agora com os olhos turvos sim... vejo-te melhor.

Acabei de escutar e voltei__________________________

encontrei estas palavras e não posso deixar de te dizer, a ti especialmente...

Amo Marguerite Duras.

Se me perguntarem se pudesses pedir um desejo de estar uns momentos com alguem que te diz tudo... que te marcou para sempre... eu pediria o milagre de falar com essa mulher Marguerite Duras...

Se me perguntarem se acredito numa outra vida depois da morte direi que não sei, mas gostava que existisse pois tenho a certeza que nessa outra vida me haveria de cruzar com ela e tanto teriamos para dizer uma à outra.

Eu e ela conversariamos horas
passariamos horas em silêncio
eu e ela
eu e ela
eu e ela que eu amo...

Comecei a ama-la depois de ler "Moderato cantabile" o meu primeiro contacto com, as suas palavras...

Ama-la-ei para a vida...

Obrigada por tudo...

A música
o piano
a voz
as imagens
o texto
o silêncio

As minhas lágrimas
o meu coração apertado

e agora ela
as palavras dela
a minha Marguerite Duras

Obrigada, não sei como te agradecer.

Saberei um dia espero.
Desculpa não ter nada para te dar
e tu deste tanto...

Obrigada.

Até sempre.

Isabel

maria josé quintela disse...

Algumas palavras são gritos amordaçados.
O pior silêncio é aquele em que se ouvem os gritos dentro de nós. E não adianta tapar os ouvidos...
Os pássaros cantam. Indiferentes e surdos. Como se não existissem abismos...

as velas ardem ate ao fim disse...

"O desenvolvimento da tua vida deixa-me indiferente, não pode ensinar-me nada sobre ti, só pode tornar-me a morte mais próxima, mais admissível, sim, desejável."

Faço minhas as palavras da Duras, a morte parece me facil, sem medos...o tempo acaba me.

bjos V,

Mendes Ferreira disse...

ups.........com um comentário destes eu até me atirava do alto de uma folha...de papel em branco.


________________exma menina Bandida, confesse lá que está de lágrima ao canto do olho azulado...::))))
___________________pois eu à Duras prefiro a Yourcenar.

embora reconheça que esta, a Duras, por via de tanto amar deu ao mundo mts páginas de amor....


_________________e ainda por cima a roubar fotografias à ASti....ai ai ai.
isto ainda acaba numa cena de pistoleiras...mas vá lá que eu apesar de doentinha até estou mt bem disposta.

Ora tome lá um abracinho com xarope de cenoura...

_________________PIM.

Diva disse...

:|
A Bandida lê os meus pensamentos?!

Efemerum disse...

sabes...

vi a Donnadieu [era um nome bonito, não entendo porque o mudou] em Montparnasse [cemitério].
foi um dia estranho esse. com pesadas sensações de nostalgia. como se tivesse conhecido pessoalmente muitos dos actuais residentes.
de certa forma conheci....conheço
são eternos
ela
eterna.


abraço apertado

JPD disse...

A MD escreveu textos divinais!
:)

merdinhas disse...

Duras...



sim. sempre. com ou sem textos secretos.

maria josé quintela disse...

http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/aquarela.htm

pn disse...

"Uma última frase, diz o actor, poderia talvez ter sido dita antes do silêncio. Supostamente teria sido dita por ela, para ele, durante a última noite do amor dos dois. Estaria relacionada com a emoção que por vezes se sente quando se reconhece aquilo que ainda não se conhece, com a impossibilidade em que se está de não se poder exprimir essa impossibilidade por causa da desproporção das palavras, da sua magreza, face à enormidade da dor."

DURAS, M., Olhos Azuis, Cabelo Preto.

Bandida disse...

IMF, para além das palavras da Yourcenar temos as mãos...

Concordo...



B.
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intruso disse...

pois eu gosto das duas Marguerite(s).....

e deste post com imagem intrigante...

O amor é quase sempre assim, entre viver e morrer (ou não?)


beijo
;)

A. disse...

então diz...









...queridíssima__________________B.

Abssinto disse...

O simples-complexo que dá cabo de nós.

beijo

alice disse...

gostava muito que aceitasse um beijinho. gosto muito do seu blog. e das suas palavras. que escreve aqui e nos amigos que visita. nem sempre venho porque não sei o que comentar... admiro-a. bem haja.