quarta-feira, outubro 31, 2007








nada é diferente se a boca não morde no ramo o caule da folha. e será a criatura selvagem arejada de vento e de névoa. a garganta em sangue do princípio da vida. nas asas das fadas. no ventre das deusas. já vi. no cimento crescem as madrugadas antes noites apetecidas. não viste elefantes. não olhaste o silêncio dos corvos na diferença do grito. não viste a cor da noite a espreguiçar-se na lua. não imaginaste o fundo dos olhos ensanguentados de vermelhos vivos. não viste o silêncio a esculpir nuvens. descompassado. negro. cinzento escuro a escapar-se dos lagos acesos na ponta dos dedos. na febre da língua. no segredo do grito. não ousaste sequer estremecer de fúria quando a porta se fechou por dentro e a chave se escondeu subitamente debaixo do tapete do medo. não ficaste. não te despediste e achaste que sim. que basta acenar uma mão cheia de dedos para ir embora. e de repente a selva transformou-se em mar e as nuvens cresceram para dentro de um hino envelhecido em madeiras de jangadas mal presas na corda. o náufrago mastiga. mastiga a carne. num corpo meio vivo. ainda assim em estertor de morte apalavrada. náufragos são os lobos na despedida do dia. e nada mais se assemelha ao seu olhar à espera do resto. que vai e vem num não sei quê de angústias. a doer fundo. a acrescentar palavras ao que já é demais acrescentado. e não há nada a dizer quando não se disse nada. não há nada a fazer quando não se fez nada. não há nada. absolutamente nada.







.

39 comentários:

Anónimo disse...

E acaba por ser Tudo. No desenho do silêncio.

Nas arestas.

Na memória.


Que permanece. Contra tudo e favor do Vento.


Diferente.


Bom dia B.

P.R.

isabel victor disse...

"náufragos são os lobos na despedida do dia. e nada mais se assemelha ao seu olhar à espera do resto"

belíssima b*

e ...
vadiamos ?

jorge vicente disse...

não há nada
a não ser o poema e o pôr-das-palavras no sol

dos amantes

um beijo
jorge

Maria Eduarda Colares disse...

minha amiga, finalmente vamos tendo direito às belas imagens do Sri Lanka. E a um dorido poema/prosa que vai bem com as cores de terra.
voltei, agora mais atenta aos amigos e com saudades do doce convívio.
beijos

Anónimo disse...

Mas era engano. Tu sabes que sim. Que já vi. senti. cheirei.


contigo.


P.R.

a. disse...

[...e e não há nada a dizer quando não se disse nada. não há nada a fazer quando não se fez nada. não há nada. absolutamente nada.]




...o resto será somente a vida a acontecer-nos.






minha B.sempre.minha B.

Delfim Peixoto disse...

O Nada não existe... o Nada é no mínimo, uma palavra.
Abraço

♥≈Nღdir≈♥ disse...

Gargalhadas aterradoras soam no ar, andam por ai bruxas a enfeitiçar
Bruxedos, encantos, magias…
Cuidado!!! Não se deixem apanhar!!!!
(`“•.¸(`“•.¸ ¸.•“´) ¸.•“´)
♥ HAPPY HALLOWEEN ♥
(¸.•“´(¸.•“´ `“•.¸)`“ •.¸)

A Feiticeira do Fantasy
www.fotosdanadir.blogspot.com
--
O Feitiço do Just Feelings
www.ridanfeelings.blogspot.com

intruso disse...

texto sofrido
(p a l a v r a s)

por vezes não há nada
(mas há sempre qualquer coisa)

beijos
(muitos)

...

Luís Galego disse...

não olhaste o silêncio dos corvos na diferença do grito...


a dor aqui aperta o músculo mais sensivel...

Anónimo disse...

fazer a diferença não é fácil, contudo possível.
nas entrelinhas, descobre-se a dor, a angústia, o pecado. idílicas palavras com sabor a mel. alívio momentaneo. manjar de desejos que são e nao são... que querem e nao querem. mescla de apetites. díade imaginária. cassidónia dos teus desejos. tapete de medos, receios... contudo ousados.
adorei este bracejar de palavras, este texto carregado de sentimento.

Cris!

Ana Paula disse...

Senti. Não há nada. E como custa aceitar sem jamais esquecer.

Adorei as fotos e as imagens de um povo que parece tão digno e sensível.

Bjs e bom feriado! :)

Frioleiras disse...

mas...
há a Música !

Haddock disse...

poesia em prosa...
.......
e mortos que conseguem dançar...
é sempre maravilhoso ouvi-los!

Brama disse...

O texto é caoticamente interessante ... o nada em si já deve ser algo ou então, o tudo pode um dia ser nada ...

As imagens do Sri Lanka são interessantes, aliás tenho uma atracção desemedida pelo sudeste asiático.

A música dos dead Can Dance belíssima, como de resto todas desse grupo. A voz de Lisa Gerrard é sempre bem-vinda

Teresa Durães disse...

um lindo texto acompanhado, claro, excelente música.

Mas os lobos são matilhas e o Alfa toma conta de todos. Unidos sempre.

No texto fala-se de Lobos mas contraria-se a sua natureza.

Não, nem todos somos lobos. Mesmo naminha matilha não sei se alguma vez poderia ser o Alfa

blue disse...

o nada que não o é. quando mais dói.

mixtu disse...

uma viagem intensa...
não conheço o sri mas um dia...

abrazo europeo

Lauro António disse...

Bonito texto e fotos. Espero que bonito seja o beijo que te envio daqui.

velha gaiteira disse...

A beleza da dor e a beleza na dor.

Sim, Bandida, pode crer que me chegaram as lágrimas aos olhos.

Lê-la foi crescer.

Bem Haja !

Um beijo amigo

St. J. disse...

n�ufragos s�o os lobos na despedida do dia


haja luar


uivos

olhos zzzzuis
e tu, a piscares o olho da Lua

Ás de Copas disse...

Intenso, quente, forte...
Senti!
Acrescentar palavras ao que já é tão bem dito, não é nada, absolutamente nada.

Um beijo Bandida :)

hfm disse...

Por isso há tanto nas tuas palavras.

herético disse...

absolutamente nada? um turbilhão a tua escrita. caos (bem) organizado.

excelente.

maria disse...

gostei muito

D. Maria e o Coelhinho disse...

FINADOS,
CARA BANDIDA,

DIA DE FINADOS

NEGRO,
NEGRO,
NEGRO

SNIFFF

D MARIA

merdinhas disse...

náufragos.


acenando com essas mãos cheias de dedos. dedos dos que se vão e dos que ficam.

e tens certeza de que por vezes não há nada?

Mar Arável disse...

NO VENTRE DAS MUSAS TUDO É POSSÍVEL E LINDO - ABSOLUTAMENTE

BJS

musqueteira disse...

são instantes assim. sentar no vazio...é conquistar novos territórios no grande Mundo do pensamento!
Viva bandida;)estou de volta:)

Letras de Babel disse...

haja o que houver a dizer que seja para e com quem merecer.

sabes? - (eu sei que sabes) - ter mérito não é nada relativo. é uma coisa tão palpável que dói ou torna-se sonho...



beijos, querida b.

Gi disse...

A interpretação fica por conta do leitor. farei a minha também, posso contudo acrescentar que este foi um dos mais belos e mais sentidos textos, que aqui deixaste.

Um beijo

a. disse...

...e por vezes as palavras que se escrevem da mão para fora podem ser tão tristes de se ver. que seria preferível fecharmo-nos por dentro e acenar apenas uma mão na despedida...








...mais vale não fazer nada
quando pouco mais há a dizer.




minha tão querida B.


[...se me permitires. levo comigo.]

*

mnemosyne disse...

nada...diria que as tuas palavras amanhecem o negro papel.
Um beijo
:)

M5Sol disse...

Eu vi a cor da noite a espreguiçar-se na lua. Foi uma imagem maravilhosa e uma sensação inesquecível.

isabel victor disse...

beijo*bandida

alice disse...

obrigada, b, por me fazer ter vontade de regressar, nem que seja só na forma de comentar. um beijo.

as velas ardem ate ao fim disse...

Iluminaste me.

Lobos somos todos.

bjinhos B

intruso disse...

tão forte e tão triste (?)
o texto
hoje, agora
(de novo...)

Beijo
(de volta à cidade)

...

Anónimo disse...

.?