quarta-feira, janeiro 27, 2010



Roberto Piva, um dos maiores poetas brasileiros, está internado na enfermaria do Hospital das Clínicas, em estado precaríssimo. Piva tem 73 anos e sofre de mal de Parkinson. Segundo o poeta Celso de Alencar, que o visitou ontem, ele está num verdadeiro inferno dantesco.


Nos últimos anos, Piva teve suas obras completas reunidas pela editora Globo em três volumes: Um Estrangeiro na Legião, Mala na Mão & e Asas Pretas e Estranhos Sinais de Saturno. Sua poesia voltou a circular como um furacão, mas o poeta continuou vivendo em situação precária. É comum os amigos se cotizarem para comprar os remédios que ele precisa para manter os efeitos do mal de Parkinson num nível razoável.

Artistas não vivem de elogios.


É preciso tirá-lo da enfermaria do HC e transferí-lo para um quarto. Urgente. Isso é o mínimo nesse momento.


Ou as palavras do próprio poeta vão se confirmar como uma nefasta profecia?:



“O objetivo de toda Poesia & de toda Obra de Arte foi sempre uma mensagem de Libertação Total dos Seres Humanos escravizados pelo masoquismo moral dos Preconceitos, dos Tabus, das Leis a serviço de uma classe dominante cuja obediência leva-nos preguiçosamente a conceber a Sociedade como uma Máquina que decide quem é normal & quem é anormal.”


“... criminosos fardados & civis têm o poder absoluto para decidir quem é útil & quem é inútil”.


“Enquanto isso, os representantes da poesia oficial & os engomados homens de negócios trocam entre si, numa reciprocidade suspeita, discursos & homenagens estourando de vaidade diante do aplauso de seus concidadãos. O que eu & meus amigos pretendemos é o divórcio absoluto da nova geração dos valores destes neomedievalistas”.





Escrito por ademir assunção

http://zonabranca.blog.uol.com.br/



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5 comentários:

alice disse...

ai vida maldita a de quem pensou tanto e tão bem e assim termina os seus dias... é isto o século 21? porra! pode-se dizer foda-se por aqui? oxalá ajudem este homem! um abraço, maria. bem haja... *****

Haddock disse...

insensibilidade dos engenheiros hospitalares, que a única coisa que aprenderam foi que o serviço de psiquiatria deve ficar no rés-do-chão... isto no tempo em que as janelas abriam!

depois só funcionam na lógica economicista e vagamente militar da camarata, daquelas sem qualquer privacidade, de preferência.

mistura-se velhos, novos, moribundos, psicóticos, suicidas, poetas redundantemente deprimidos e o que mais houver agita-se o preparado com vigor e obtém-se uma doença crónica chamada pavor.

é triste, profundamente. e não só para o(s) poeta(s).

Ana Paula Sena disse...

:((((

Desconhecia esta triste situação do poeta.

Obrigada, cara Bandida, pela denúncia da situação.

Um beijinho grande.

cassamia disse...

...se amava a bandida, a maria quintas derreou-me, abocanhou-me, engoliu-me,abraçou-me... escreves tão divinamente que me tiras o sopro e invejo-te tanto neste pecado!!!

Anónimo disse...

vc sabe de que livro foram retirados esses trechos??