segunda-feira, fevereiro 05, 2007



creio que de nada serve a mão se não for para apertar.
de nada serve a fogueira de vaidades de supostos colossais intelectos
se não for para partilhar o toque.
de pouco serve um violino sem arco. de pouco serve uma arte
esburacada onde para lá do círculo não se vislumbram lumes
nem chamas nem tempestades nem lábios nem vida.
de pouco serve a batalha naval de marinheiros sem rumo na tentativa
hipócrita de salvar pálidas nebulosas que já são céus inteiros de estrelas.
de pouco serve a inspiração na distorção de abundantes oceanos azuis.
de nada serve a fechadura se não existir porta.


Hoje revi “A Clockwork Orange”, pelo amor a Kubrik.

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25 comentários:

maria josé quintela disse...

falas da utilidade...

a utilidade de ser.

Plum disse...

Impossível não amar Kubrik!

Anónimo disse...

eu diria da inutilidade de não ser . não deixar ser.
ter medo de ser.


não saber ser.
não querer que se seja.


post não mecânico.


de laranja acesa.


em arco.
~
ao alto.



beijo de I.


________________.

vida de vidro disse...

É necessário chegar aos outros... só assim o que se faz "serve" para alguma coisa. **

paulo disse...

Uma vez li a Laranja Mecânica por amor a Kubrik.

as velas ardem ate ao fim disse...

Gosto tanto de vir aqui...enche me sempre o coração.

Obrigada por tudo.

(divino)

teresamaremar disse...

mãos...

chaves para tantas portas.

um beijo

Manuel Bento disse...

De nada serve tudo o que serve para nada sermos...

Alien8 disse...

Eu também creio. Mas não é por isso que gosto de texto. É porque sim :)

Boa noite!

alecerosana disse...

Revi-o há uns meses, assim como 2001 Odisseia no Espaço

ASTI disse...

Aiiiii, tanta laranja mecânica à solta!!!
«já gastámos as palavras [pelos blogs]»; de tanto lermos, já nem distinguimos poesia de porcaria – ou será que isso esquece muito a quem nunca aprendeu?
O problema não está na coisa, está na vontade e na capacidade de ler o outro e a outra ou de se ficar pelo simples jogo narcísico se de ver e se fazer visto.
Mas isto digo eu, que sou má língua, não liguem. Se se compram livros a metro e com lombada a condizer com os sofás, se se compra comida pré-cozinhada e roupa pret-à-porter, porque não usar comentários descartáveis, modelo standard?
O importante é deixar a … marca, como animais que somos; marcar território. Pimba!
E quem cair por não tirar os olhos do umbigo, não tem mais a fazer que levantar-se e aprender a lição ou deixar-se ficar por lá – a ver se aprende que o mundo pode ser olhado de muitos ângulos.
E a propósito de olhares e de … marcas, lembrei-me, imaginem, da

Impressão Digital

Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
nao vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!

Inutil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!

OK, OK. OK. Mas então e quando vêem por todo o lado o mesmo calhau? E quando deixam em todos os cantos o mesmo… calhau??? Fazer o quê? Dar-lhes trela? Não contem comigo, que nem com o meu cão a uso – ele sabe escolher os seus caminhos. Sabe onde deve ir e onde não é chamado.

Um dia, ouvimos o poeta: «Sê paciente; espera. que a palavra amadureça/ e se desprenda, como um fruto/ ao passar o vento que a mereça». E na incapacidade de ser árvore e de dar fruto, quisemos ser vento. Mas nem fresca aragem conseguimos ser…
Olhares daqui, olhares dali…. Tantos olhares. Tantos umbigos. Tanta surdez. Tanta incapacidade de dizer, calando…
«A maior solidão é perceber que estamos rodeados de idiotas», citei, apenas…


ai ai... boa noite...

merdinhas disse...

laranja mecânica.


Também o revi há uns tempos....alex o...cyborg?

merdinhas disse...

vê a aguarela do brasil...


nada tem que ver com a laranja.

intruso disse...

amor comum
paixão.

(bandida,
bandida é a gripe que me ataca...)
:/

e sim.....
vavá-diamos........................!
(inscrição lá, não é?)

b
de
boa semana


atchim
;)

intruso disse...

de nada, de nada serve se...

...

[artesã de sentidoS,
bravo!]

intruso disse...

(ainda te roubo umas palavras, uns sentidos...
lá para o intrusismo)

Mendes Ferreira disse...

és doida!!!!!!!!!!!!!varrida!!!!!!!!!!!!

tu não me aborreças!!!!!!!!!!


:)))))))))))))))))))))


bom dia!

Isabel disse...

Que vontade depos de te ler de rever o filme que já revi vezes sem conta,tambem por amor a Kubrik.

Pena que há tantas portas sem fechadura em casas sem tectos, sem paredes...abertas esperando... e ninguem entra.

Tantas mãos estendidas... esperando o aperto... e ninguem as aperta.

Tantos tentanto tocar, alcançar, partilhar... e ninguem se aproxima.

Tantos violinos aguardando o arco.

Tanta arte com lume, com chama, com tempestades, com lábios , com vida... tanta arte que ninguem vive esperando ser vivida.

Serve a minha mão para apertar a tua?

A tua mão apertou-me o coração...

Isabel

M5Sol disse...

De nada serve uma porta se não houver quem por ela entre.

as velas ardem ate ao fim disse...

a ouvir Beethoven...
Oh bliss! Bliss and heaven! Oh, it was gorgeousness and gorgeousity made flesh. It was like a bird of rarest-spun heaven metal or like silvery wine flowing in a spaceship, gravity all nonsense now. As I slooshied, I knew such lovely pictures!

bjinhos e obrigda por tudo

Abssinto disse...

Ai lupina tu estás sempre a falar de filmes que eu não vi! Assumo a minha mais que evidente medíocridade cinéfila. Mas, li o livro, grande Burguess! Um dos grandes romances que as minhas meninas já devoraram! A extravagante personagem principal era doida por Beethoven:)

beijo

Castanha disse...

Vim deixar um beijo ...na fechadura da inexistente porta...

alice disse...

de tudo me serve vir aqui ;)*

boa noite, bandida.

beijinho grande

alice

Arion disse...

A Laranja Mecânica é assustadoramente sedutor

-pirata-vermelho- disse...

Tal como acontece com as 'recordações-de-infância' os grandes filmes ficam marcados pelas grandes músicas mas! o contrário é perversamente verdadeiro - nunca mais conseguimos ouvir a música solta, livre, catalizador de emoções elementares e por vezes fortíssimas dela decorrentes e só com ela relacionadas no plano simbólico e estético. Foi assim com Adágio da 5ª de Mahler, é assim com esta abertura fulgurante de Rossini que, fora de um teatro de ópera, não voltará a ser o que era antes do filme (espantoso filme!)do Kubrik (mes hommages).

Hélas.